Troca-se por Arte

“Troca-se por Arte” é um projecto de divulgação da cidade e dos nossos artistas, em colaboração com os proprietários das lojas de comércio tradicional na cidade invicta.

O objectivo é mostrar alguns artistas que consideramos promissores e talentosos, e durante 3 dias desloca-los do circuito regular da arte.

Os proprietários aderiram no bom sentido a esta iniciativa trocando as suas montras por uma exposição que decorrerá apenas durante o fim de semana de 16, 17 e 18 de Abril.

Esta acção não tem fins lucrativos e só vem tentar dinamizar mais o comércio,e fazer com que o público se atente mais com a arte, com arquitectura, e com a noção de cidade viva.

Blog I Cartaz

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Cidade solidária

Há quem pense que a cidade do Porto entrou num processo de perda de importância de que muito dificilmente recupera e que isso deve-se, quase em exclusivo, a culpas da gestão camarária.

Raciocínio elementar e de pouca profundidade, de quem julga as coisas pelo mais imediato e até esquece que os ciclos oscilantes do processo de desenvolvimento de uma cidade são mais profundos e complexos e acarretam, quase sempre, como é o caso presente, alterações de paradigma que não podem deixar de ser levadas em conta.

Isso mesmo está a acontecer no Porto. A cidade de comércio tradicional de raiz, familiar ou equivalente, alterou o seu modelo e ritmo de negócios e tem de evoluir e adaptar-se às novas solicitações de procura e oferta concorrencial, em produto, métodos de promoção e competição comercial, horários de funcionamento e resposta aos novos hábitos e potencialidades do consumidor.

Do mesmo modo que a cidade de residentes estabilizados foi envelhecendo, sem capacidade de renovação no local, perdeu população activa e capacidade produtiva que viu fugir-lhe para as periferias e desertificou de moradores no centro, com incidências no património construtivo e arquitectónico e na mutação do quadro social e cultural.

Estruturas construtivas e funcionais e actividades produtivas e de animação social e cultural passam por processos de renovação e transformação, alteram os seus paradigmas ideológicos e comportamentais e é isso um pouco de tudo aquilo por que está a passar a cidade do Porto.

A Área Metropolitana, sua vitalidade política e funcional, corresponde a um paradigma de cidade multipolar e de inter-relações bem diferentes da cidade radio-concêntrica derivada da origem medieval e barroca, implicando processos de gestão política e visões estratégicas bem diferentes, de maior parceria na definição dos objectivos e no traçado das soluções, maior espírito de solidariedade e permanente capacidade negocial.

Mesmo no “Porto Histórico”, aquilo que se entende pelo centro da Área Metropolitana, o paradigma funcional está a alterar-se e o processo de “repovoamento” será diferente do há meio século, com outra gente, outros hábitos de vida e consumo, outras estruturas familiares e sociais, outra cultura estrutural e de vivência da vida urbana.

Isto implica repensar métodos e estratégias de gestão política municipal e, também, comportamentos de cidadania e de responsabilização individual na vida colectiva. Há um espaço de cidade que não é o mesmo mas não é muito diferente. Há novos hábitos e processos de o usar que justificam atenção às mudanças, incentivos à sua consolidação estrutural e afirmação de Nova Imagem Urbana, assente em estruturas mais modernas e complexas e geradoras de sistemas de vida também eles mais aliciantes mas exigentes.

Não sei o que disto pensam os políticos que governam e acompanham a governação da cidade, sabe-se pouco porque cada vez se discute menos estes problemas, embora todos afirmem que para eles têm a melhor solução. Se o Porto atravessa uma crise de processo ao nível da sua transformação estrutural e modelo de desenvolvimento sócio-económico e cultural, a responsabilidade na procura dos caminhos é de todos, forças políticas e económicas, associações sociais e culturais, cidadãos mais ou menos organizados.

Fonte JN

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