Hotéis low cost reanimam centros de Lisboa e Porto

Depois de ver quatro ou cinco imóveis que se encontravam à venda na zona histórica do Porto, a família Dixos ficou fascinada com um edifício do século XIX, na Rua Mouzinho da Silveira, ao lado do Mercado Ferreira Borges, onde já funciona o novo Hard Club. O prédio, com 200 anos de história, foi integralmente recuperado – um trabalho moroso e complexo de conservação de interiores e exteriores, tendo em conta que se encontra no coração da zona Património Mundial da Unesco – e transformado no Dixo’s Oporto Hostel, uma das últimas unidades de alojamento local inauguradas na Baixa do Porto.

O exemplo do ‘hostel’ Dixo’s enquadra-se na perfeição na nova realidade dos centros das cidades, onde o grande aparecimento deste tipo de unidades tem permitido a recuperação dos imóveis e a própria revitalização das zonas envolventes. A isto junta-se ainda o facto de os investimentos serem feitos sobretudo por empresários jovens ou empresas familiares, com uma componente de empreendedorismo muito forte.

A zona histórica do Porto é onde esta realidade é mais visível. Nos últimos dois anos abriram 14 ‘hostels’, como o Porto Spot Hostel, na Rua Magalhães Lemos; o Rivoli Cinema Hostel, na Rua dos Caldeireiros; o Yellow House, na Rua João das Regras, ou ainda o Wine Hostel, uma unidade temática inspirada no Vinho do Porto, com vista para a Praça da Cordoaria e perto do centenário Café Piolho, actualmente um ponto de referência na vida nocturna da Invicta.

Todos eles sofreram profundas obras de remodelação, tanto interiores como exteriores, apresentando condições de alojamento acima das europeias. Uma realidade que se deve, por um lado, ao novo quadro legal dos ‘hostels’, unidades actualmente inseridas na categoria de alojamento local, criado pela portaria n.º 517/2008, de 25 de Junho, que passa para as autarquias a obrigatoriedade de registar o ‘hostel’ e de proceder à sua vistoria.

Reabilitação no centro de Lisboa

O que se passa no Porto não é um caso isolado. Também em Lisboa têm sido vários os projectos de reabilitação que transformam prédios devolutos em ‘hostels’. O Diário Económico estima que, no ano passado, abriram pelo menos seis novas unidades destes dois géneros no centro de Lisboa, numa área que abrange o Bairro Alto, a Costa do Castelo e a Baixa. São exemplo disso o This Is Lisbon Hostel, junto ao Castelo de São Jorge; o Stay Cool Hostel, perto de Campo de Ourique, ou o Brown´s Apartments, na Baixa, junto à Rua Augusta.

Unidades a que se juntam ‘hostels’ como o Traveller’s House, também na Baixa, o Rossio Hostel e o Lisbon Lounge Hostel, todos eles considerados, já em 2009, os melhores ‘hostels’ do mundo para a Hostelworld, sedeada em Dublin, na Irlanda.

O ‘boom’ só não tem sido maior, porque já “há muita oferta de todo o tipo de hotéis em Lisboa”, disse Carlos Marques, um dos funcionários do Brown´s Apartments, uma unidade que surgiu de uma reabilitação integral de um edifício na Rua da Vitória, que custou 3,5 milhões de euros. Por isso é que, de acordo com este responsável, “quem investe neste negócio sabe que tem de fazer com qualidade. Até porque, com a nova legislação, somos designados de alojamento local e as normas de segurança são muito rígidas”. De acordo com a informação fornecida pela Câmara de Lisboa, só no ano passado pediram a mudança de registo para alojamento local “63 estabelecimentos de hospedagem, com 837 unidades de alojamento e uma capacidade de 1.804 camas”.

Este ‘boom’ recente só tem sido maior no Porto por causa da proliferação das bases aéreas de companhias ‘low cost’, que apenas voam a partir do Porto para várias cidades na Europa, e ainda pela actuação da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) – Porto Vivo. Aqui, o registo de unidades de alojamento local é repartido pela autarquia e pela SRU, quando o projecto se localiza na sua zona de intervenção. No caso dos projectos autorizados pela autarquia, foi aprovado o registo de alojamento local de cinco hospedagens, que inclui ‘hostels’. Já a SRU recebeu outros cinco projectos para instalação de unidades de alojamento local, a maioria dos quais já se encontra em obras.

Hostel

É um tipo de alojamento turístico que se distingue por dormitórios partilhados e pelos preços baixos. Por norma, este tipo de estabelecimento também disponibiliza quartos privados, duplos ou triplos, com casa de banho também privada, como alternativa aos espaços partilhados.

Fonte Económico

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Escritórios Porto

O mercado de escritórios do Porto está concentrado em quatro zonas empresariais: Zona 1 – Boavista; Zona 2 – Centro Histórico-Baixa; Zona 3 – Vila Nova de Gaia e Zona 4 – Maia. Nos últimos anos têm sido desenvolvidos diversos empreendimentos na Zona Empresarial do Porto (ZEP), designação dada à reconversão da antiga Zona Industrial do Porto, os quais têm atraído diversas empresas.

O mercado do Porto registou no segundo semestre do ano um volume de área ocupada a rondar os 6.000 m², o que representa uma quebra para metade dos níveis de absorção bruta registados no período homólogo. Deste modo, quando analisada a totalidade da absorção em 2010, verifica-se uma quebra de 37,5% comparativamente com 2009.

A corroborar estes números está o facto de a maior ocupação registada em 2010 ter sido inferior a qualquer uma das 5 maiores de 2009. Ainda assim, o número de transacções identificadas em 2010 foi ligeiramente superior ao de 2011: 44 para 40; ou seja o mercado no Porto manteve a mesma dinâmica mas faltaram operações de ocupação de grande dimensão. A Zona 1 absorveu a maior quota com 47% do total da área ocupada no Porto em 2010; destaque ainda para a ZEP com 9%.

Fonte CB Richard Ellis

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