Estudo climático aplicado ao ordenamento urbano

Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveram o primeiro estudo climático da Figueira da Foz aplicado ao ordenamento urbano, no âmbito do processo de revisão, em curso, do Plano Director Municipal (PDM). A investigação resulta de uma parceria entre o Centro de Estudos em Geografia e Ordenamento do Território (CEGOT) da UC e a autarquia local.

Analisa factores como a topografia do terreno ou a proximidade ao mar, rio e serra da Boa Viagem, confrontando-os com dados da temperatura, humidade relativa e direcção e velocidade do vento, complementados com outros obtidos por quatro termógrafos (instrumentos que registam as variações de temperatura) instalados no concelho.

“Trata-se de traduzir e aplicar os conhecimentos obtidos sobre o topoclima da Figueira da Foz em orientações climáticas direccionadas ao planeamento e ordenamento urbano”, disse o geógrafo David Marques, autor do estudo.

Adiantou que os PDM actuais apresentam uma “frágil” informação climática e que a investigação do CEGOT pretende contribuir para melhorar essa informação. No capítulo do comportamento térmico, compara o núcleo urbano antigo da cidade com a zona exposta ao mar e rio Mondego, a praia de Quiaios – a norte da serra da Boa Viagem – e uma zona rural, na freguesia de Bom Sucesso.

Conclui que, no verão, “durante o dia e em particular nas tardes”, a exposição às brisas marítimas, de maior intensidade ao longo da faixa costeira e do estuário do Mondego, “é o factor determinante” nos contrastes térmicos identificados.

Aponta um espaço rural “mais quente”, em oposição a uma “ilha de frescura urbana”, com diferenças de temperatura “superiores a 11 graus” centígrados quando comparadas com os dados dos termógrafos instalados mais próximo do mar.

Modificação do padrão térmico

No período nocturno, no entanto, assiste-se a uma modificação do padrão térmico, passando a uma “ilha de calor urbano”, com temperaturas superiores à do espaço rural. “Demonstra o processo de arrefecimento mais lento da atmosfera urbana inferior durante as primeiras horas da noite”, lê-se no documento.

Os ventos de norte e noroeste (nortada) influenciam as temperaturas, por exemplo entre as zonas próximas do mar e não abrigadas pela serra da Boa Viagem (como a praia de Quiaios) e o núcleo urbano da cidade.

Essas condições foram observadas pelas 15h de um dia de Agosto de 2011: verificavam-se 34,3 graus centígrados na cidade e 22,9 graus em Quiaios. Já com vento leste, os contrastes entre a faixa costeira e o interior “atenuam-se significativamente”, refere.

Outros dados do estudo apontam, no inverno, áreas de acumulação de ar frio nos fundos dos vales (nas zonas urbanas de Tavarede e Buarcos), áreas que apresentam “um risco mais elevado de acumulação de poluentes”.

O estudo é apresentado publicamente a 12 de Abril, junto com a primeira de cinco estações climáticas, que funcionará na Escola Dr. João de Barros, no âmbito do laboratório ambiental urbano da Figueira da Foz. “A Figueira da Foz vai ser uma das primeiras cidades do país a ter cobertura total do território”, disse António Rochette, do Centro de Estudos em Geografia e Ordenamento do Território, adiantando que o projecto engloba cinco estações climáticas e outras cinco para medição de níveis de poluição.

Fonte CiênciaHoje

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