Construção em 2012

De acordo com as estimativas anunciadas em novembro de 2011 pela Euroconstruct´s, a produção no setor europeu da Construção deverá diminuir 0,3% em 2012 depois de uma contração de 0,6% já registada em 2011, fazendo antever um aumento das insolvências num número significativo de mercados e uma generalização dos cenários de pressão nas margens de lucro e problemas de liquidez. Esta realidade é apresentada pela Crédito y Caución no seu último Market Monitor, observatório sectorial que traça as previsões sobre o grau de insolvência e incumprimento nas empresas.

Dos mercados europeus em destaque – Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Itália, Polónia e Inglaterra – apenas a Alemanha parece contrariar a tendência, com um mercado de habitação que continua a ser visto como uma aposta segura por parte dos investidores.

Apesar das perspetivas pouco animadoras para o setor da Construção em muitos países, a previsão a longo prazo é, apesar de tudo, motivo para algum otimismo. De acordo com o relatório recente “Global Construction 2020” é previsível que a produção global neste setor ultrapasse o PIB mundial na próxima década, impulsionada principalmente pela rápida urbanização e crescimento económico em mercados emergentes como a China, Índia e Brasil. Segundo o relatório, também os Estados Unidos deverão contribuir para esse crescimento devido à sua atual recuperação nos subsetores da construção residencial e não residencial.

Alemanha

De acordo com a associação alemã de construtores, “Hauptverband der Deutschen Bauindustrie”, o volume de negócios no setor deverá apresentar um crescimento nominal de 2,5% (crescimento real de 1%) em 2012 em relação ao ano anterior. O subsetor da construção residencial deverá apresentar uma evolução acima da média com uma taxa de crescimento nominal de 6%. Ironicamente, este subsetor está a lucrar com a crise da zona euro, já que os investidores (incluindo alguns do sul da Europa) consideram o mercado imobiliário alemão como um “porto seguro”. Já o crescimento da construção no setor público alemão deverá contrair 2.5% em 2012 (depois de um crescimento de 4% em 2012), devido ao fim de medidas de incentivo e à necessária consolidação das contas públicas. Após um declínio de 5.3% no número de insolvências em 2010 espera-se um valor inferior para 2011. Em 2012 o número de insolvências no setor alemão das construção deverá estabilizar ou eventualmente aumentar, ainda que ligeiramente.

França

A atividade no setor francês da Construção deverá diminuir cerca de 2% em 2012. Esta contração está associada a fatores como a deterioração das condições de financiamento, o aumento do IVA de 5,5% para 7% (uma das medidas governamentais para reduzir o défice público), o fim da “Loi Scellier” e dos incentivos fiscais para instalações fotovoltaicas, bem como a diminuição dos preços de venda impulsionada pela forte concorrência no setor. O fraco PIB previsto para o mercado francês faz ainda antever um aumento de 8% a 10% no número de insolvências para o setor francês da Construção em 2012.

Polónia

O inverno relativamente ameno permitiu a progressão de muitos trabalhos de construção, fazendo antever um primeiro trimestre de 2012 menos difícil para o setor polaco da Construção face ao período homólogo de 2011. As perspetivas positivas mantêm-se até meados de 2013, período em que se prevê o término da maioria dos grandes investimentos associados a fundos comunitários. O setor polaco da Construção apresenta, no entanto, alguns desafios como a pressão crescente sobre as margens operacionais, uma realidade que deverá impactar sobretudo as PME devido à forte concorrência de empresas nacionais e estrangeiras e à escassez de trabalhadores, o que eleva o custo dos salários. Paralelamente, os investidores têm sido pressionados por prazos de pagamento mais longos e atrasos frequentes. Em média, os prazos de pagamento na indústria da construção polaca são de 60 dias. As insolvências no setor aumentaram drasticamente em 2011 (mais de 40% em relação ao ano anterior).

Espanha

A produção no setor espanhol da Construção deverá contrair 9% em 2012 em relação ao ano anterior e dar lugar em 2013 a um período de estabilização (ainda que frágil). Em 2012, o subsetor da construção residencial deverá estagnar ligeiramente enquanto o subsetor não residencial prevê contrair 10%. A produção no subsetor da Engenharia Civil, diretamente afetado pelas medidas de austeridade do governo, caiu 35% em 2011 e em 2012 as previsões apontam para outra grande contração nas obras públicas, promovida pelo governo central e pelas administrações regionais. As insolvências neste setor aumentaram 12% em 2011 comparativamente ao mesmo período do ano anterior e o nível global de extensão nos prazos e atrasos nos pagamentos continuará a ser desfavorável ao longo de 2012.

Itália

De acordo com a associação italiana de construção, “Federcostruzioni”, o subsetor da construção residencial italiana deverá cair 18,6% no período 2008-2012, enquanto o subsetor não residencial prevê diminuir até 29,5%. Paralelamente, tem-se registado nesse mercado um aumento constante e progressivo dos atrasos nos prazos de pagamento, principalmente por parte do setor público. Entre maio e setembro de 2011 os atrasos no setor da Construção aumentaram 40%, com picos até 24 meses. Espera-se uma maior deterioração nos próximos meses, à medida que a austeridade for afetando a capacidade dos compradores públicos.

México

A produção no setor mexicano da Construção cresceu 5% em 2011 em relação ao ano anterior e deverá ser seguida de um crescimento de 3,8% em 2012, uma evolução positiva para a qual deverão contribuir as próximas eleições presidenciais que prometem impulsionar o investimento público em infraestruturas e construção de habitações. Outro fator positivo prende-se com uma nova lei que permitirá o aumento da participação do investimento privado na construção de infraestruturas. Em 2012, a taxa de crescimento no setor da construção irá superar o crescimento do PIB (que deverá ser de 3,5%, segundo o FMI). Em média, os prazos de pagamento no setor mexicano da Construção são longos, indo de 45 a 120 dias. O segundo semestre de 2011 registou, apesar de tudo, uma diminuição do número de atrasos nos pagamentos, uma realidade que deverá manter-se estável em 2012.

Estados Unidos

A produção no setor norte-americano da Construção está a recuperar lentamente dos seus piores níveis registados em mais de 50 anos. De acordo com o “U.S. Commerce Department”, foram contabilizadas, em dezembro de 2011, 606,900 habitações construídas: um aumento de 3,4% face a 2010. Para 2012, a “National Association of Home Builders” prevê um aumento de aproximadamente 17% na construção de habitações uni-familiares e multifamiliares. O número de casas novas à venda caiu 1,3% para 158.000 unidades em novembro de 2011, representando assim um sinal positivo para o setor vendas.

Fonte Crédito y Caución

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