Hortas empresariais

É um fenómeno – apontado por muitos como uma moda – que veio para ficar. As hortas urbanas ganham cada vez mais adeptos de Norte a Sul do País, e seja para reduzir a factura alimentar, seja por necessidade de convívio com a natureza e a promoção da eco-sustentabilidade, os benefícios estão à vista: mediante uma renda, os novos agricultores – ou hortelãos, como também são chamados – passam a ter um espaço para cultivar os seus alimentos, e têm também direito a formação.

Só em Outubro, Lisboa teve cerca de 500 pessoas a candidatar-se ao aluguer de mais de 40 talhões de hortas urbanas em dois novos parques hortícolas – na Quinta da Granja e no Jardim de Campolide.

Para Jaime Ferreira, presidente da direcção da Agrobio – Associação Portuguesa de Agricultura Biológica -, a coesão social é outra das consequências da criação destas hortas, já que são talhões pequenos, lado a lado com o do vizinho: «Gera-se uma comunidade em que se estabelecem laços e relações entre as pessoas, vimos isso em Cascais e Vila Franca», sublinha o responsável.

A economia doméstica também joga aqui um factor fundamental: um talhão com 20m2 é suficiente – segundo a Agrobio – para alimentar uma família de três/quatro pessoas durante grande parte do ano. Mas se até agora a filosofia das hortas era a de auto-consumo, o cenário parece estar prestes a mudar.

«Estamos a desenvolver uma experiência em Loures com hortas de maiores dimensões destinadas a pessoas que queiram fazer negócio – hortas empresariais- que poderão ir vender os seus produtos aos mercados semanais que a Agrobio vai desenvolver. Todos os produtos vendidos nestes mercados estão certificados», garante o responsável.

As hortas empresariais já têm terreno atribuído e as candidaturas a hortelão estão a ser avaliadas. As inscrição são feitas na Câmara de Loures e para residentes no concelho e a selecção passa pelos rendimentos, agregado familiar, situação de emprego, entre outros pontos.

O trabalho da Agrobio passa por sensibilizar as autarquias para a disponibilização de talhões, sendo que a associação dá formação e faz o acompanhamento durante um ano. Paralelamente a Agrobio promove uma dezena de mercados onde é possível vender e comprar produtos biológicos vindos destas hortas urbanas – Cascais, Carcavelos, Oeiras, Algés, Amadora, Santos, Loures, Almeirim e Aveiro. Lagos e Coimbra também têm propostas feitas às respectivas autarquias.

«Tem sobretudo a ver com a crise, as pessoas querem ter espaço para produzir os seus próprios alimentos. A Alemanha faz isto há anos, é uma questão estratégica de auto-suficiência alimentar e coesão social», remata Jaime Ferreira.

Fonte Ambiente Online

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