Arrendamento a crescer

Uma das consequências mais directas das restrições ao crédito foi o aumento exponencial da procura de casas para arrendar. Até aos anos antes da crise a lógica dos compradores foi sempre a mesma: “Para quê pagar uma casa que não é minha se fico a pagar menos ao banco por uma casa que é minha?”.

Aliás, “os portugueses arrendam casa quando procuram uma solução temporária ou não conseguem financiamento bancário para a compra”, disse Miguel Poisson, director-geral da ERA Portugal. Contudo, num cenário onde para se conseguir um crédito à habitação é preciso ter 20% do valor da casa, o arrendamento tornou-se a melhor opção. Em 2010, a procura de casas para arrendar manteve-se entre os 15% e os 20%.

“A procura no mercado de arrendamento urbano tem vindo a aumentar claramente face à procura verificada em anos anteriores e comparativamente com a procura que se verifica no mercado de compra e venda. Por razões que se prendem, essencialmente, com a dificuldade de acesso ao crédito bancário para aquisição de casa própria”, disse ao Diário Económico, o presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), Luís Lima.

Foi por isso que, em 2009 e 2010 – já em plena crise económica e do mercado imobiliário, o número de arrendamentos cresceu em quase todas as mediadoras a actuar em Portugal. Na Century 21, em 2009, o arrendamento representou 20% do total de transacções e em 2010, chegou mesmo aos 30%. Já na Remax, o ano passado, os arrendamentos representaram 35,55% das operações realizadas, mais 12% que em 2009.

Segundo adiantou ao Diário Económico Ricardo Sousa, administrador da Century 21 Portugal, estes valores já começaram a estabilizar porque “não existe oferta suficiente no mercado. Actualmente, a procura é dez vezes superior à oferta”, disse, acrescentando que há casas que nem chegam a entrar nas bases de dados porque são arrendadas em 24 ou 48 horas.

Pouca oferta penaliza mercado

A falta de oferta culminou, em Novembro e Dezembro de 2010, numa quebra na procura de arrendamento nos principais distritos imobiliários do país, quando comparado com os dois meses anteriores. De acordo com os dados da APEMIP e do portal imobiliário Casa Yes, em Lisboa a procura passou de 26,1% para 23,4%; no Porto desceu dos 24,4% para os 21,1% e em Setúbal, dos 15,8% para os 13,4%.
Esta situação levou também os preços de arrendamento a subir entre 2009 e 2010.

De acordo com Ricardo Sousa, a média dos arrendamentos está nos 600 euros, mas segundo os dados da APEMIP e da Casa Yes, a maior parte das pessoas procura casas para arrendar entre os 300 e os 500 euros. O problema é que, na realidade, da oferta existente, só cerca de metade é que satisfaz os preços procurados.

Fonte Económico

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