Requalificação urbana

Apesar de ser patente algum dinamismo na reabilitação das cidades portuguesas, ainda se verifica um envelhecimento dos centros urbanos a nível nacional, não apenas do património edificado, como da própria estrutura etária da população residente.

De acordo com os resultados provisórios dos censos de 2011, Lisboa e Porto destacavam-se como os municípios do país com o parque habitacional mais envelhecido. Nos mesmos municípios, cerca de um quarto da população residente tem mais de 65 anos, e o grupo etário dos zero aos 14 anos é significativamente inferior, a rondar os 12%.

A esta realidade acresce um aumento significativo do número de alojamentos vagos: mais de 700 mil, alguns deles em condições de extrema degradação.

Segundo o Catálogo de Estudos da Associação de Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portuga (APEMIP) relativo ao primeiro trimestre de 2012 , a reabilitação do edificado poderia assumir um papel revitalizador. Reforçaria o contributo da indústria da construção civil, atenuaria a degradação do património, dinamizaria economicamente os núcleos urbanos degradados, melhoraria a qualidade de vida urbana, e rejuvenesceria a imagem do edificado e a população residente.

Construção nova domina

Mas, a nível nacional, observa-se que a prioridade não tem sido a reabilitação. Comparando a realidade portuguesa com a europeia através dos dados da Euroconstruct, é possível verificar na Europa Ocidental há uma valorização da requalificação urbana, enquanto que em Portugal a aposta tem-se direccionado para a construção nova.

A Euroconstruct foi fundada no ano de 1975 e surgiu como uma rede de institutos especializados e organizações de consultoria com o intuito de analisar a evolução da construção na Europa. Agrega cerca de 19 países europeus.

De acordo com o Boletim Mensal de Economia Portuguesa e com os dados da Euroconstruct, é possível verificar que a estrutura da construção em Portugal, em 2010, era significativamente diferente dos restantes países da Europa Ocidental. Em Portugal, os segmentos com maior peso eram os associados à construção nova, ao passo que na Europa Ocidental existe um predomínio notório da manutenção e recuperação.

A nível nacional, não será alheio a esta realidade o crescente ritmo de construção da década de 90 até ao início do século XXI, incentivado pela facilidade de aquisição de crédito por parte das famílias e pelo crescente valor que a sociedade atribui à propriedade.

Contudo, mediante a leitura dos dados da Euroconstruct, no período de 2011 a 2013 perspectiva-se uma recuperação, ainda que residual, do segmento de manutenção e recuperação, sobretudo no mercado residencial.

Fonte Sol

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