O paradigma da habitação

Os dados do Inquérito Mensal de Conjuntura (IMC), da APEMIP – Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal -, no bimestre correspondente aos meses de Janeiro e Fevereiro de 2012 confirmam que o paradigma das soluções de habitação está a mudar, embora três em cada quatro portugueses continuem a viver em casa própria. O catálogo de estudos número 17 sublinha ainda o atraso na dinamização do mercado de Arrendamento Urbano e consequentemente da Reabilitação.

O arrendamento assume-se cada vez mais como uma realidade estrutural. Em 2011, do total de alojamentos em Portugal, 4 milhões (68,2%) eram de residência habitual, 1,1 milhões (19,3%) eram do tipo sazonal e 735 mil (12,5%) eram vagos. Numa análise distrital, verifica-se a relevância de residência habitual em Lisboa (76,1%), no Porto (77,8%), em Aveiro (74,0%), Braga (73,6%) e Açores (73,6%).

O crescimento relativo de alojamentos vagos no parque habitacional foi de cerca de 35% no âmbito nacional.

Destacaram-se Faro, Madeira e Coimbra. Do total cerca de 15% inseriam-se nos designados alojamentos vagos para arrendar. Registou-se para este tipo de alojamento um crescimento médio de 37,6%, traduzindo-se em termos absolutos num aumento de 30 mil. Esta variável teve particular incidência nos distritos urbanos de Lisboa (25%), Porto (15,4%) e Faro (11%).

Em 2011, 19,7% dos alojamentos de residência habitual estavam arrendados. Numa análise por distritos, verifica-se a relevância deste indicador em Lisboa (27,8%), Porto (25,5%), Faro (20,2%) e Setúbal (20,1%). Dos dez municípios mais dinâmicos em termos de número de imóveis arrendados, destacam-se Lisboa, Porto e Setúbal. A procura de imóveis para arrendamento, nestes municípios, e cada vez mais em zonas periféricas, com proximidade de centros urbanos, é hoje uma realidade crescente.

Dos distritos com contratos de arrendamento residencial celebrados entre 2006 e 2011 (já beneficiando da entrada em vigor do Novo Regime do Arrendamento Urbano), destacam-se os Açores (66,2%), Leiria (60,3%) e Viseu (59,7%). Por outro lado, os distritos que ainda evidenciam uma elevada representatividade das designadas rendas antigas, considerando-se para o efeito os contratos celebrados até 1990 (antes da entrada em vigor do Regime do Arrendamento Urbano), foram Setúbal (39,0%), Lisboa (37,3%) e Porto (36,0%).

Os imóveis com rendas inferiores a €100 representavam aproximadamente 30,8%. Analisando a realidade distrital, o intervalo de valores com maior relevância, situou-se entre €200 a €300 e entre os €300 a €400. Dos distritos que apresentam em 2011 intervalos de valor com relevância inferior, destacaram-se o Porto (€35 – €100), Portalegre (menor ou igual que €35), e Madeira (menor ou igual que €35). No intervalo de valores de rendas até €100 e superior a €400, observou-se na generalidade dos distritos a relevância na ordem dos 30% para imóveis com rendas de escalão inferior (até €100). Os imóveis de valor superior a €400 apresentam particular incidência nos distritos de Lisboa (29,8%), Faro (25,2%) e Setúbal (21,1%).

No escalão etário dos arrendatários, é possível observar no âmbito nacional e distrital a relevância no grupo superior a 60 anos, exceto nos Açores, em que a classe mais relevante é a dos 30 aos 39 anos. Não obstante, a segunda classe etária arrendatária mais representativa, na generalidade dos distritos em análise é igualmente a que se insere no grupo etário entre os 30 e os 39 anos, nos Açores a que varia entre os 40 e os 49 anos.

No que toca às transações, os dados da APEMIP revelam cerca de 194 mil imóveis (tanto urbanos, como rústicos e mistos), registando uma quebra aproximada de 7,2% face ao ano transato. Por parte da procura, surgem novas formas de percecionar o mercado, sendo o arrendamento uma realidade considerada por algumas famílias. No final do ano, as intenções da procura, segundo dados do portal imobiliário CasaYes, eram já de aproximadamente 40%.

Este comportamento reflete desde logo a deterioração sistemática que tem atingido a capacidade financeira das famílias e a forma como estas encaram atualmente o mercado.

Nas pesquisas efetuadas ao portal, a procura de valores, no âmbito nacional, direcionada para o arrendamento residencial em 38,6% dos casos situava-se entre os €300 e os €500, em 30,9% para valores inferiores ou iguais a €300. Contrastando a procura, com o que existe em stock no mercado para oferta denota-se um certo desajustamento. De facto, apenas 8,7% dos imóveis para oferta no Portal CasaYes registaram números inferiores ou iguais a €300, 38,4% encerram valores compreendidos entre os €300 a €500 e 24,0% entre os €500 e os €750.

No entanto, a procura de imóveis residenciais para aquisição é ainda uma realidade recorrente com cerca de 60% das pesquisas. Por tipologia a procura continua segmentada, à semelhança da oferta, maioritariamente nos T2 e T3, com uma crescente relevância dos T1 (comparativamente ao ano de 2010). É interessante verificar que 23% direcionou-se para índices inferiores ou iguais a €75 mil, 31,5% entre os €75 mil e os €125 mil. No que concerne à oferta os valores médios praticados durante o ano transato, concentraram-se maioritariamente em torno dos €75 mil até aos €125 mil (29,7%) e entre os €125 mil e os €175 mil (22,0%).

A nível concelhio, verifica-se que Lisboa encontra-se entre os concelhos mais pesquisados com 14,5%, na procura de apartamentos com 20,3%, nos imóveis não residenciais com 11,4%, nos imóveis para compra 12,7% e para arrendamento 21,5%. Na procura de moradias o Porto assume essa primazia com 5,0% de pesquisas geradas, ocupando Lisboa, neste caso, o 3o lugar. De mencionar, no que se refere ao arrendamento, o maior nível de pesquisas centralizou-se em municípios do distrito de Lisboa e do Porto.

Fonte APEMIP

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